Qualidade de Vida
"A capacidade definitiva de um homem não está nos momentos de conforto e conveniência, mas nos períodos de desafios e controvérsias."
Martin Luhter King
Nos momentos em que estamos em harmonia, o estresse não é um problema, mas quando deparamos com um desafio ou uma controvérsia, pela maneira como reagimos física e emocionalmente, podemos perceber como estamos lidando com ele. Ninguém está imune a esse mal e pode ser encontrado em todas as faixas etárias e classes sociais, bem como em todas as ocupações profissionais. Até as donas de casa, os aposentados e, pasmem!, crianças podem lidar com ele.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), está ocorrendo uma epidemia global de estresse. Dados científicos também nos revelam que 80% dos brasileiros economicamente ativos sofrem de estresse ocupacional. Alguns dos sintomas do estresse são a dificuldade de concentração, a perda da memória de curto prazo, a perda da capacidade de julgar com precisão e de tomar decisões, a agressividade, além de ataques cardíacos, pressão alta, padrões de sono perturbado, distúrbios intestinais, problemas sexuais, baixa imunidade. Pessoas que tem uma vida agitada e desempenham funções de alta responsabilidade apresentam uma predisposição acentuada para ter problemas de saúde.
Estima-se que o prejuízo anual decorrente de faltas ao trabalho, baixa produtividade, acidentes e doenças levem as organizações a deixarem de economizar em até 34% no Brasil.
Situações de ansiedade (ou estado de tensão interna ante a algo que ameace o indivíduo) estimulam o cérebro a liberar substâncias que são prejudiciais ao organismo, como o aumento do colesterol, da glicose e do cortisol. A duração do tempo que permanecemos com os acontecimentos que nos causam tensão é que determina com que eles sejam prejudiciais à saúde, devido ao acumulo de substâncias químicas que o organismo produz durante o estresse.
O grande vilão que desencadeia o estresse não é o cansaço físico, mas o aspecto emocional envolvido nas relações pessoais ou nos problemas com que deparamos. O modo como percebemos o que nos acontece pode aumentar ou diminuir os fatores estressantes. Então, com que óculos estamos enxergando a vida? Não necessitamos apenas do pão que nutre o corpo, mas dos bons pensamentos para a saúde mental e física. Precisamos cuidar do nosso eu para sermos mais saudáveis e felizes.
Estudos mostram que hábitos saudáveis proporcionam envelhecer com saúde física e mental. Podemos citar alguns: participar de grupos (como de trabalho voluntário); o número de amigos e parentes com que se contata regularmente; aspectos positivos de atitudes e crenças; entre outros. Entretanto, não se pode esquecer das atividades físicas. Elas nos possibilitam, além de outros benefícios, diminuir os produtos do estresse que acumulamos; a estimulação intelectual como aprender algo complexo - um instrumento musical ou um idioma que nos favoreça melhorar a memória. As atividades podem consistir em desenvolver atividades prazerosas, como assistir ao futebol; escrever poesia; explorar o artesanato; desenhar, cantar, dançar, ou seja, é necessário procurar fazer o de que se gosta, inclusive aquelas atividades que se fazia quando se era criança ou adolescente. Por que não ver a possibilidade de voltar a fazê-las hoje?
O sofrimento crônico, resultante de depressão, ansiedade e raiva não elaborados, está associado a uma variedade de prognósticos, que podem piorar com o passar do tempo e acelerar o declínio cognitivo.
Ainda não existe uma pílula ou vacina que evite a diminuição de nossa capacidade cognitiva, mas podemos desenvolver hábitos que não acelerem ou agravem esse declínio mental.
Como o nosso tempo de vida aumentou devido aos avanços da medicina, não nos interessa apenas viver mais, porém termos também qualidade de vida. Precisamos fazer durar o nosso potencial de aprender. Recordar, sonhar, produzir e amar. As escolhas que estamos fazendo hoje determinarão a qualidade de vida no futuro.
Buscar perceber os acontecimentos de uma maneira que não nos desestabilize tanto e procurar ter atividade saudáveis nos garante viver mais e melhor.
A APAFERJ está oferecendo um encontro realizado na primeira terça-feira de cada mês às dezenove horas, cujo objetivo é melhorar a qualidade de vida dos associados. Contamos com a sua presença para caminharmos juntos, cultivando a arte de viver.
Márcia Cristina Bastos de Oliveira de Barros
Psicóloga e Arteterapeuta